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Sutilezas
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Sombra

Os homens passam pelas ruas misteriosas
Ouvi ecoarem na noite
A sua loucura e o seu pavor...

Os homens olharam para dentro
E viram mistérios...
Os homens olharam para fora
E viram mistérios...

E foram pelas ruas misteriosas
Debatendo-se como pensamentos
Presos em círculos negros...

Cecília Meireles

que caminhos essas ruas podem nos levar? É possível se aproximar dos mistérios? E se nos perdermos...? Se ficarmos imersos, olhando para dentro e nunca alcançando os mistérios?

"you are the only jail keeper that ever surfaces in your own life".

February 25, 2006 | 9:16 PM Comments  1 comments

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sentimento do mundo

"Não, meu coração não é maior que o mundo..."

Penumbra. gotas de chuva batendo na janela. Carros que passam nas ruas. Respiração... a percepção de mim, do meu redor, do mundo oscila, sai da minha consciência e cresce, depois volta e vai pra longe...

Deitada, ouço todas essas coisas, enquanto o meu coração se abre por dentro... Sensação estranha, como se o meu peito se abrisse e dele fosse sair algo maior, forte, como a mandala de luz que descrevi antes. Não sei, não sei, é muito além do que as palavras conseguem alcançar, mas consigo no máximo chamar de amor.

Será que é isso que os poetas sentem e desesperadamente descrevem, como se assim pudessem tirar isso do peito e transformar em palavras? Será que é isso que Drummond chamou de sentimento do mundo?

"Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo..."
Pra mim é isso. é o coração que vai crescendo, e crescendo, como se pudesse alcançar a menina que mora lá longe e que hoje me fez lembrar de um sentimento meio esquecido. De repente parece que ela está muito perto... Ou as pessoas tão queridas que acabo de falar ao telefone, e de repente parecem muito longe... Mas é isso, uma expansão que parece fazer tudo explodir, como se pudesse abraçar o mundo todo, mas não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor...

Há muito quero escrever sobre a ternura. Não sei se consigo fazer isso agora. Sei que posso chamar de ternura uma parte desse amor que faz o coração querer sair do peito e abraçar tudo. Alguém me disse certo dia que isso é uma virtude - querer dar esse sentimento puro do didentro e ver nos outros um lado admirável e amável.

Alguns chamam de ingenuidade, outros, de sensibilidade. Alguns chegam a chamar de fraqueza. Não acho que seja isso, e sei que tenho endurecido, mas essa ternura, esse sentimento arrebatador que não controlo se mantém. E tento compartilhar, transformar também em palavras...


February 21, 2006 | 6:07 PM Comments  0 comments

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quanto custa um bem querer?

Ela estava parada ali, pequena. Ao seu lado estavam eles, olhos cintilantes e largos sorrisos. Ela chamava, eles brincavam.Ela repetia, eles gargalhavam. Ela gritava, eles não ouviam.
Ela tentava rir também, mas seu sorriso sempre murchava. Não, não era como o deles, não era como eles, não poderia ser...

Mas ela queria. Queria com a intensidade de uma criança que chama a atenção da mãe, com a sinceridade de uma admiração profunda. Era isso. Ela sonhava, esperava ansiosamente os momentos de estar próxima. E sempre que esses momentos chegavam, ela carregava algo junto de si para entregar. Algo grande, brilhante, forte, mas não pesado. Não tem uma forma definida, mas se pudesse ser descrito ou comparado, seria uma mandala colorida e iluminada, suave e intensa ao mesmo tempo. Ela carregava dentro de si. Era o sentimento - o carinho, a admiração, a vontade de estar próxima e, acima de tudo, um amor verdadeiro e puro - que ela na sua pequenez tentava tanto entregar a eles, nos momentos que chamava e repetia e gritava e ria...

Ela saiu dali, pequena. Algo apertava lá dentro. Não era aquele sentimento se tornando amargo ou mais fraco (pois de alguma forma ele estava imune a isso), mas era algo que doía. E depois ela entendeu que, por aquilo que carregava ser tão sincero e puro, era também sensível. E machucava. E doía muito.

"Que o meu amor não seja um fardo para você. Amo-te porque quero." (Tagore)

February 19, 2006 | 9:34 PM Comments  1 comments

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