me fiz símbolos, imagens
mas sou riscos de grafite
me fiz forte, coragem
mas sou um rio que corre...
minhas margens, miragem
linhas imaginárias
correnteza na água escura
transbordando a falta de mim
correm barquinhos, folhas
minhas águas à minha procura
correm meus olhos pela bruma
que veio de dentro de mim
recolho-me entre as pedras
fico em cada fissura
faço-me lodo e torno-me uma
sou uma e o rio...
me-lan-co-li-a
minha triste melodia
balanço que embala e cala
meu grito, minha agonia
des-animada
em que parte de mim
do outro, das coisas
ficou a minha alma?