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Sutilezas
sutileza das sensações inúteis
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"O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço..."
palavras emprestadas do Álvaro de Campos...
não preciso dizer mais nada.
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Verdade
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"O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos" diz a placa escrita à mão, colocada no meio daquele nada dinamarquês, por onde eu passava todos os dias. Essa frase ficou gravada e, tempos depois, voltou a se repetir na minha cabeça.
Não acho que seja só o futuro, mas também o presente. Um presente vivido plenamente.
parece firula, mas não... Realmente significa algo. Passei uns tempos num estado de dormência, fora de mim, fazendo tudo no "automático". Quando isso passou, comecei a me questionar o que realmente queria, o que sonhava, o que gostava, lembrando daquilo que me inquietava, impulsionava, fazia o olho brilhar... Justamente pra recuperar a beleza que antes eu via nos meus sonhos, mas que tinha perdido. Recuperando essa beleza, eu poderia viver o presente mais inteira.
Em um livro sobre o Gandhi que li, escrito pelo Rubem Alves, fala sobre a Verdade que existe dentro de cada um. Alguns chamam isso de "voz interior", "chamado"... É uma força autêntica que impulsiona, dá movimento, mostra o caminho verdadeiro...
"É a isto que dou o nome de verdade: algo que cresce de dentro, que não se pode ensinar mas apenas sugerir, invocar, por meios de gestos de amor..."
Daí a importância de se manter inteiro e autêntico no que se faz e se vive - pois assim é possível se aproximar da verdade, que mostra o caminho...
"Deixe a beleza que amamos ser o que fazemos." (Rumi)
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Santuário
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"Busca a sua Beleza na beleza
e segue intrépido, sem vacilar..."
Te convido a buscar um santuário. Pense no lugar onde tenha se sentido mais completo(a), tranqüilo(a), contente. Um lugar que tenha significado e traga um brilho diferente.
Pois foi isso que me motivou a escrever hoje...
"Atenta para as sutilezas
que não se dão em palavras(...)
Contempla a fonte do que és."
Santuário é o lugar onde (re)encontramos o Divino que há em nós, com essa beleza. É uma terapia no seu significado essencial: "volta à origem do Divino." Mas não é necessário um altar ou um Oráculo - como tinham outros santuários que praticavam a cura pela terapia - uma vez que se tem a simples e verdadeira (re)conexão com um lugar. E dessa (re)conexão acontece o (re)encontro com o Divino e uma das mais belas formas de atingir a tranqüilidade - mesmo que ela seja momentânea.
Revisitei meu santuário. reconectei. Mas mais que um reencontro com um lugar, foi um reencontro comigo e com aquilo que está nas sutilezas...
Caminhei por trilhas há muito esquecidas, toquei a terra com amor e senti o seu toque de volta. E lá percebi, de verdade, como Ela e eu somos parte de um todo que vibra, que pulsa junto.
Senti que faço parte do silêncio, e ele faz parte de mim. Não o silêncio da ausência, mas da completude. E tudo é coberto por uma beleza indescritível.
Esse é o encontro tão bonito: deixar-me reencantar por belezas e emoções que estavam esquecidas... e mais ainda: com a verdade em mim. E nesse momento o mundo poderia acabar, pois eu estava plena, com uma tranquilidade que há tempos não sentia...
É desse santuário que falo, que confido a procurar. Pois é necessário reencontrar e mostrar as belezas, deixá-la brilhar e encontrar outros brilhos.
"Em cada coração há uma
janela para outros corações.
Eles não estão separados,
como dois corpos.
Mas, assim como duas lâmpadas
que não estão juntas,
Sua luz se une num só feixe."
Mas, como disse, a tranqüilidade é momentânea, e compartilho pensamentos que a um bom tempo me vêem: esse lugares são santuários pelo que representam, pelas lembranças boas ligadas a ele? Mss o que fazer se esse ele está distante ou muitas vezes inalcansável? Se for possível "construir esse espaço em si mesmo", como muitas vezes me disseram, como fazê-lo e o que é preciso pra ele ser verdadeiro?
Silêncio já foi a resposta pra algumas dessas perguntas. Mas com os tempos, a cabeça e todos os outros barulhos presentes, como alcançar o silêncio?
será que se não for possível os dias serão de constantes desassossegos e intranquilidades?
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