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Sutilezas
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"minha vida, nossas vidas...

formam um só diamante..."

Coração aperta, aperta... Sinto o "contrário" (se sentimento tiver contrário) do que senti quando escrevi aqui na última vez...

sinto um pouco de vazio, de falta, distância de pessoas que ao mesmo tempo estão próximas. Não sei como isso acontece, mas sei que eles estão aqui, sei que eles estão em mim, mas sinto tanta falta...

ah, desabafo mesmo!
mas afinal, quando se está realmente próximo? Como é possível se sentir mais perto de pessoas que estão fisicamente longe do que aquelas que estão mais presentes, apesar de amá-las tanto?

"meus amigos
quando me dão a mão
sempre deixam
outra coisa
presença
olhar
lembrança
calor

meu amigos
quando me dão
deixam na minha
a sua mão"

Paulo Leminski

November 26, 2005 | 8:17 AM Comments  3 comments

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coração vagabundo

Afinal, existe uma verdadeira distância?
Acredito que a distância seja apenas um limite físico, mas que estamos todos juntos de alguma forma. Mas também sei que essa é uma questão que vai mais além da minha percepção, algo mais complexo, que agora só entendo pela intuição e pelas sensações. Mas de qualquer forma indago...

Sinto que há algo muito profundo que nos conecta, algo que está na essência. É muito incrível como a verdadeira distância é relativa, como podemos estar juntos mesmo que pareça que estamos separados... Acho que é apenas algo além da mera percepção da nossa consciência.

“Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não me vêem, eu vejo,
E saúdo velhos amigos”.

Tive uma experiência muito doida hoje, enquanto andava pela minha quadra à noite. Senti que estava tão fortemente ligada às pessoas, há algo maior que eu, que àqueles prédios, que à Asa Sul e o avião onde eu estava...

Sentei embaixo do bloco uma sensação forte me invadiu. Pensei nos amigos no outro lado da cidade, vi seus rostos e me senti perto deles. Pensei em pessoas queridas que estão em outras cidades, que naquela mesma hora deveriam estar em suas casas, se preparando para dormir, e me senti perto deles. Pensei nos amigos espalhados pelo mundo, alguns já em sono profundo por ser de madrugada nos seus países, outros começando o dia agora, e me senti perto deles. Veio um sentimento de preenchimento, presença e calor.

“Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim...”

Nesse mesmo momento o porteiro veio com um Mapa Mundi me mostrar qualquer coisa. Achei curioso. Foi bem no momento que sentia que o meu coração queria se expandir, dilatar, tomar todo o meu corpo e tudo à minha volta...

Sinto de verdade que estamos conectados. E não sinto mais o vazio da falta, mas um calor que preenche, a consciência em algum nível que me diz para acalmar o coração, pois assim como estou nos lugares onde essas pessoas queridas estão, elas também estão aqui, elas também estão em mim.

“em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro...”

Mas afinal, o que nos conecta nesses níveis mais profundos?

“Um segundo seu no meu...” O que mexe na nossa essência?

Penso mesmo que é o amor. O amor puro, simples e sincero, essencial. Acho que foi ele que trouxe a sensação do meu coração se expandir, ficar maior que o mundo. E me fez perceber o quanto amo as pessoas em que pensei, levando-me pra perto delas e trazendo-as mais pra perto de mim.

“Love that doesn’t question others and doesn’t know itself.”

Esse é um dos dons do sul, uma das quatro direções presentes na tradição da Medicine Wheel, dos povos nativos norte-americanos. Uma moça me deu um papel escrito essa frase em uma cerimônia e isso me marcou muito. Acho que é esse o amor, o que é pleno, além de qualquer superficialidade, o que é a minha verdade...

November 20, 2005 | 9:51 PM Comments  2 comments

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Parada cardíaca

essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure
vem de dentro
vem da zona escura
donde vem o que sinto
sinto muito
sentir é muito lento.

Paulo Leminski

tive dias de leminski nesses últimos tempos... E dias do coração parar ou de repente acelerar, querer sair pela boca. Inconstância...

Esse poema é muito do que aconteceu nessa época... Ele me achou, como os poemas têm costume de fazer. Ou melhor, um moço muito especial fez ele me achar...

agora está tudo mais calmo, agora estou sentindo as coisas, e por mais que o didentro esteja mexido, estou também finalmente tranqüila.


November 10, 2005 | 12:27 PM Comments  2 comments

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